
O desafio de um bom profissional do século XXI é manter-se conectado à informação e ao conhecimento. Não se trata somente de ‘reciclar-se’, mas de estar antenado às novas dinâmicas e tendências do mercado. A figura do profissional local se perdeu em um mundo globalizado, em que um atraso no fornecimento de carne no Sul do Continente Americano pode afetar a venda de Kebab’s nas ruas de Madrid. De fato, profissionais do Novo Século se tornaram seres que se alimentam de conhecimento.
Mas você, um leitor atento, sabe que isso não representa novidade alguma. De fato, há algumas décadas o novo paradigma do conhecimento tem ocupado temas importantes nas manchetes e publicações ao redor do globo. A questão não é se devemos nos alimentar de conhecimento ou não, mas sim qual é a dieta que devemos seguir. De acordo com o website Worldometers.info, somente em 2010, no mundo todo foram lançados 536.240 novos livros. Isso representa quase 75 mil publicações por mês, ou 2,5 mil por dia. Será que há bibliotecas que comportem tantas novidades, ou leitores dispostos a se aventurar em tantas páginas?
Recentemente comprei um livro de marketing do autor Philip Kotler, chamado ‘Marketing 3.0’. Como muitos internautas, pedi o livro pela web store e esperei a entrega pelo serviço postal. Depois de ansiosa espera, abri a embalagem de papelão, rasguei o plástico que envolvia meu livro, e lá estava o meu mais novo passaporte para o conhecimento. O livro era menos espesso do que parecia na foto, mas isso me foi compensado pelo selo na parte superior direita: ‘Palestrante HSM – Inspiring Ideas’. Ótimo, tudo indicava uma boa leitura e uma viagem emocionante às “Novas forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano”, como dizia a frase de efeito da capa.
Não foi necessário gastar mais de meia dúzia de páginas para perceber que havia pegado o avião errado ou que meu passaporte para o conhecimento ainda precisava de um visto. Mas, chega de bla, bla, bla, devo logo dizer a vocês que a leitura foi decepcionante. Texto repetitivo, como aqueles para aquietar crianças. Conceitos maquiados, de relativo fácil observação prática e roteiro que não foge da regra da maioria de livros de administração ou estratégia empresarial. Não estou querendo desvalorizar nosso honroso Best Seller, apenas quero compartilhar com vocês outra proposta.
Assim como empresas de tecnologia, a indústria dos ‘Best Sellers’ é movida à inovação. Novos lançamentos são extremamente necessários para alavancar mais e mais vendas. O problema é que, muitas vezes, o genuíno conhecimento é muito pequeno. Então, que tal deixar o ‘Best Seller’ de lado e aventurar em algo mais antiquado. Sim, antiquado! Aqueles livros que sobram nos sebos, autores consagrados do século passado, cujas obras inspiraram escritores, artistas, políticos e diversos líderes deste século.
Nós devemos sim nos alimentar de conhecimento, porém observar a dieta é importante para evitar a obesidade, ou simplesmente, a perca de tempo. Os livros devem ajudar a formar críticos inovadores, e não apenas executores de receitas prontas no estilo 7 passos para alcançar o impossível.
O próximo post será uma resenha sobre o livro A Utopia, de Thomas More. Uma obra-prima escrita por volta do século XV. Por sinal, este pequeno livro veio junto com a encomenda do livro de Philip Kotler. Apesar da capa menos imponente, a leitura é de um prazer indescritível.
Proponho então uma dieta: ler cuidadosamente não somente o necessário e o novo, mas o que alimenta a alma e nos faz mais fortes para criar e inovar. Isso pode significar envelhecer a sua estante.
Pronto, terminei este artigo. Agora você já pode colocar mais 160 livros novinhos na sua estante. Opa! Mas tome cuidado para não engordar.
Por Thiago Dias


Um garotão inteligente vindo da roça, se candidatou a um emprego numa