Por Thiago Dias
A partir de 2008, quando houve o estouro da crise imobiliária nos Estados Unidos, percebeu-se que a valorização das casas não era eterna. Os americanos foram expostos a uma dura realidade: os sólidos investimentos em imóveis eram um castelo de cartas. De lá para cá, a crise atingiu o mundo. Em 2009, nos EUA, a construção de novas casas caiu 28,2% em relação a 2008. Na Inglaterra a queda foi de 34,4% e no Japão de 37%. O valor dos aluguéis comerciais na Rússia caiu 63% no período dos últimos 12 meses a partir de junho de 2009. No Brasil, curiosamente, esta cifra cresceu 25%. Especialistas acreditam que, ao contrário do ocorrido nos países mais desenvolvidos, a crise pode ter fortalecido o mercado de imóveis brasileiro.
Com as sucessivas quedas na taxa de juros, os investimentos em imóveis tornaram-se mais rentáveis em relação aos investimentos em renda fixa, como poupança e títulos do governo. O financiamento ficou mais barato e os investidores, inclusive aqueles que vivem fora do Brasil, podem optar por financiar o imóvel diretamente com as construtoras. Além disso, há perspectivas de valorização dos imóveis nas principais capitais brasileiras. Em Curitiba, por exemplo, os analistas prevêem um crescimento de 22% nos preços até o final do ano. Este mesmo fenômeno está acontecendo em praticamente todas as capitais do país. Pequenos ou grandes investidores, todos à procura de retornos lucrativos, impulsionam o mercado.
Ao investir em imóveis você pode estar pensando em duas coisas. Uma delas é a realização de um projeto de vida, um sonho, que é a casa própria. A outra é a busca de um retorno financeiro que irá garantir ou complementar sua renda no futuro. Se optar pela segunda opção, algumas dicas são importantes.
Ao contrário do que muitos pensam, o investimento correto pode estar longe da sua Terra Natal, principalmente se lá o mercado imobiliário já estiver muito valorizado. Isso significa que você terá mais chances de fazer um bom negócio se pesquisar empreendimentos em outras praças. Além disso, leve em conta o perfil do seu futuro inquilino. Se o imóvel for comercial, escolha um local de fácil acesso e que esteja na rota dos consumidores. Para isso, faça uma pesquisa e descubra se existem outros comércios por perto, se há outros empreendimentos sendo construídos no local e se não há impedimentos legais para o estabelecimento de um comércio nesta região. Pesquisas mostram uma valorização de 25% no valor dos aluguéis comerciais no segundo trimestre de 2009, em relação ao segundo trimestre de 2008. Se a opção for imóvel residencial, diferencie os investimentos populares, de classe média ou de alto padrão. Imóveis muito caros, acima de R$1 milhão, podem oferecer pouca liquidez, enquanto imóveis populares podem render aluguéis baixos. Leve também em conta que você não irá morar no imóvel. Portanto não é você quem precisa gostar dele, mas sim o seu inquilino.
Outra observação é na hora do pagamento. Se possuir uma reserva, compre à vista. Assim você terá mais chances de conseguir um bom desconto. Mas se precisar financiar, uma boa opção é utilizar as linhas de crédito das próprias construtoras.
Para aqueles que desejam fugir dos problemas com inquilinos, os fundos imobiliários são uma opção mais barata. Essas aplicações funcionam como um investimento em fundos de ações, mas sua rentabilidade vem das aplicações feitas em diversos tipos de imóveis, como flats, salas comerciais, shoppings e até hospitais. São de longo prazo, cinco anos ou mais, mas é possível aplicar a partir de 10.000 reais. Também podem oferecer menos riscos, pois alguns fundos aplicam em mais de um imóvel, diversificando a carteira. Outra vantagem é que este tipo de aplicação é isenta de imposto de renda, ao contrário dos ganhos obtidos por aluguel ou renda fixa. Estes investimentos estão disponíveis por meio de bancos ou corretoras.
Ao decidir investir, não deixe de acompanhar o retorno dos investimentos. Pode ser útil comparar este retorno com outras modalidades de investimento como fundos, ações e poupança. Lembre-se também que no investimento em imóveis há taxas e tributos específicos como ITBI, corretagem, IPTU, entre outros. Depois de se planejar, agora basta procurar um especialista ou o seu corretor de confiança e começar a investir.
Como prometido, aí vão alguns links para aqueles que querem saber mais sobre como investir em Fundos de Imóveis
http://www.cvm.gov.br/port/protinv/caderno6.asp
http://dinheirama.com/blog/2007/08/30/imoveis-versus-fundos-imobiliarios/












Alziro Valejo says:
Muito boa a matéria.
Minha experiência diz que imóvel deve ser comprado, melhorado e vendido. Inquilino é um ser complicado por natureza, mesmo as pessoas jurídicas.
Sugestão: tenha um corretor parceiro – ou seja, quem tope ganhar menos por operação, mas ganhar sempre.
Fundos bem administrados podem trazer bons resultado – boa pesquisa para todos.
Forte abraço!
10th February 2010 at 19:16